A nova era dos bancos centrais digitais (CBDCs) e o impacto nas economias emergentes

VL Martins

10/29/20253 min ler

Introdução:

A transformação digital do sistema financeiro está prestes a dar um novo salto histórico.
Depois das criptomoedas e das fintechs, surge uma inovação que promete mudar a forma como o dinheiro circula, é rastreado e controlado: as moedas digitais dos bancos centrais, conhecidas como CBDCs (Central Bank Digital Currencies).

Mais de 130 países — representando 98% do PIB global — já estudam, testam ou implementam suas próprias versões de moedas digitais oficiais.
Mas o que são exatamente as CBDCs? E como elas podem afetar economias emergentes como o Brasil?

💡 O que é uma moeda digital de banco central (CBDC)

A CBDC é uma versão digital do dinheiro emitido por um banco central, com valor oficial e garantia do Estado.
Diferente das criptomoedas (como o Bitcoin), ela não é descentralizada: é controlada e supervisionada por uma autoridade monetária.

Em resumo:

  • É uma moeda estatal em formato digital;

  • Circula diretamente entre cidadãos e o Banco Central, sem intermediários bancários em algumas modalidades;

  • Permite transações instantâneas, seguras e rastreáveis.

🌐 O avanço global das CBDCs

O movimento começou discretamente, mas ganhou força após a pandemia de 2020, quando a digitalização dos pagamentos se acelerou.
Alguns países já estão em estágios avançados:

  • 🇨🇳 China – Lançou o yuan digital (e-CNY), já utilizado em cidades como Shenzhen e Pequim.

  • 🇸🇪 Suécia – Testa a e-krona, com foco em reduzir o uso de dinheiro físico.

  • 🇳🇬 Nigéria – Criou o eNaira, pioneiro entre países emergentes.

  • 🇧🇷 Brasil – Desenvolve o Drex, nome oficial do real digital.

Segundo o Fundo Monetário Internacional (FMI), as CBDCs podem transformar a estrutura do sistema financeiro internacional em poucos anos.

💰 Como o Drex está sendo desenvolvido no Brasil

O Banco Central do Brasil é um dos mais avançados do mundo na criação de uma CBDC.
Batizado de Drex, o real digital faz parte do projeto de modernização do sistema financeiro, integrando-se ao Pix, open finance e blockchain.

Características do Drex:

  • Lastreado no real (1 Drex = 1 Real);

  • Utiliza tecnologia DLT (Distributed Ledger Technology), semelhante ao blockchain;

  • Voltado para operações digitais seguras entre bancos, empresas e cidadãos;

  • Permite contratos inteligentes (smart contracts) para automatizar transações.

A expectativa é que o Drex comece a ser disponibilizado para o público a partir de 2025, após testes com instituições financeiras e startups.

🧩 Diferença entre CBDCs e criptomoedas

Embora compartilhem tecnologias similares, há diferenças fundamentais:

AspectoCriptomoedasCBDCsControleDescentralizado (usuários)Centralizado (Banco Central)LastroNenhum (valor de mercado)Moeda oficial do paísAnonimatoAlto (em algumas)Limitado (transações rastreáveis)VolatilidadeAltaEstávelObjetivoLivre mercado e inovaçãoEstabilidade e controle monetário

Em resumo, as CBDCs unem o poder do Estado com a eficiência da tecnologia blockchain, mas com maior supervisão e transparência fiscal.

🌎 Impacto nas economias emergentes

As economias emergentes são as que mais podem se beneficiar das CBDCs.
Países como o Brasil, Índia e Nigéria veem na moeda digital uma oportunidade de inclusão financeira e redução de custos bancários.

Principais vantagens:

  1. Inclusão financeira: permite que cidadãos sem conta bancária movimentem dinheiro digital pelo celular.

  2. Redução de custos: transações mais rápidas e baratas, sem intermediários.

  3. Combate à informalidade: pagamentos rastreáveis dificultam evasão fiscal e lavagem de dinheiro.

  4. Eficiência nas políticas públicas: benefícios sociais e subsídios podem ser pagos de forma instantânea.

  5. Integração global: facilita transações internacionais entre países que adotarem padrões compatíveis.

⚖️ Os riscos e desafios

Apesar dos benefícios, as CBDCs levantam preocupações legítimas:

  • Privacidade: governos terão mais acesso a dados de transações.

  • Segurança cibernética: ataques digitais podem comprometer sistemas financeiros inteiros.

  • Concentração de poder: bancos centrais podem reduzir o papel dos bancos comerciais.

  • Adaptação tecnológica: infraestrutura e inclusão digital ainda são limitadas em regiões pobres.

Especialistas defendem que a implantação deve ser gradual e transparente, com regulação clara e educação financeira digital.

📊 O futuro das transações digitais

A introdução das CBDCs representa a terceira grande revolução do dinheiro, depois do papel-moeda e das transferências eletrônicas.
No futuro próximo, poderemos ver:

  • Pagamentos automáticos programáveis via smart contracts;

  • Integração entre Pix, Drex e moedas estrangeiras digitais;

  • Eliminação de intermediários em remessas internacionais;

  • Governos realizando política monetária em tempo real, com dados instantâneos da economia.

O impacto será profundo — tanto nas economias desenvolvidas quanto nas emergentes.

💬 Conclusão

A era dos bancos centrais digitais está apenas começando, mas já redefine as fronteiras entre tecnologia, finanças e política monetária.
Se implementadas com responsabilidade, as CBDCs podem tornar o sistema financeiro mais inclusivo, eficiente e transparente.

O Brasil, com o Drex, tem a chance de ser pioneiro na América Latina e referência global em inovação financeira estatal.
Mas o sucesso dependerá de um equilíbrio delicado entre modernização tecnológica e proteção à liberdade financeira do cidadão.

📘 Autor: VLMoney